quinta-feira, agosto 24, 2006

Thank you for smoking (but not on this column)


Buenas,

Nesse fim de semana assisti um filme muito bacana e politicamente incorreto chamado “Obrigado por Fumar” (Thank you for Smoking, EUA - 2005). O filme faz uma ácida crítica à sociedade norte-americana por usar a liberdade de expressão para manipular as pessoas e vender o que dá mais lucro, mesmo sabendo que faz mal.

O filme mostra os extremos. De um lado, um lobista da indústria de tabaco chamado Nick Naylor (interpretado magistralmente pelo Aaron Eckhart), que usa a liberdade de expressão para manipular a audiência de programas de TV, jornalistas e até o próprio filho, defendendo o fumo. Enquanto ele vive bem e cria o filho com valores totalmente distorcidos, do outro lado o filme mostra um congressista fanático que quer colocar um rótulo de veneno (uma caveira e dois ossos cruzados) nos maços de cigarros.

Nessa história, ninguém é muito santo, nem quem, supostamente, está do lado do “bem”. Todo mundo manipula todo mundo. A jornalista seduz o lobista para conseguir a história bombástica dela, o congressista usa crianças com câncer em programas de TV para fazer a sua plataforma parecer mais dramática. Ou seja, o lobista até que nem é tão ruim.

O filme é uma sátira e acaba sendo bastante engraçado, no estilo de piadas politicamente incorretas. Quanto mais cafajestadas os caras fazem na tela, mais a gente dá risada.

QUEM NÃO QUISER SABER SOBRE O FINAL, PARE DE LER AQUI.

Inteligente e instigante, a idéia do filme é cutucar mesmo. O diretor e roteirista Jason Reitman acertou em fazer um filme incorreto do início ao fim. Ele levou anos para conseguir filmar o projeto, porque todos os estúdios diziam a ele que o lobista tinha que se ferrar e se arrepender de seus pecados no final. O lobista até se ferra, mas depois ele sai por cima sem mudar seus valores, que é o que torna o filme mais realista, apesar de acharmos absurdo. Você sai do cinema sabendo que ser manipulador compensa e que não importa se você acreditar ou fizer a coisa errada, se você consegue convencer as pessoas com sua lábia, está tudo bem.

E do outro lado, o congressista consegue o que ele quer, com uma solução absurda e ridícula mas que, aparentemente, está se tornando realidade!! PASMEM!! Vejam o link abaixo... Isso não é ficção, é notícia mesmo:

http://commentisfree.guardian.co.uk/david_boaz/2006/08/political_correctness_from_car.html

Pois é… o mundo ficou louco mesmo!! Eu não fumo e nem gosto, mas respeito quem o faz em seu próprio espaço (sem incomodar os outros) e também acho que não se pode mudar a história. Mas isso já é um novo post....

A única coisa que eu mudaria no filme de Reitman é a forma tradicional que ele usou pra contar a história. Como em qualquer filme clássico, o lobista Nick Naylor acaba se tornando o herói da história. Porque, por mais que ele seja errado, o filme mostra os outros todos muito piores do que ele. E, no final, como era de se esperar, nosso herói (ou anti?) se dá bem e todo mundo que o ferrou (principalmente o chefe e a jornalista) se dão mal. Nesse ponto o filme usa e abusa da fórmula hollywoodiana.

Mesmo assim, o argumento continua sendo muito bom, o filme é muito engraçado e a atuação de Eckhart vale a pena ser conferida.

See ya!
PS - Gostaria de lembrar que esse é um blog interativo. Sugestões, comentários, elogios e até críticas são bem-vindos!

2 comentários:

Thiane disse...

Esse filme é demais mesmo. Vc torce pro cara se dar muito bem. É genial. Anti-herói total. Bjs

Pedro Mori disse...

Carlota, vc sabe se este filme foi bancado por magnatas da Internê?
Pessoal do site PayPal...
beijos