quarta-feira, janeiro 31, 2007

Much ado about little, ou muito barulho por pouco


Buenas,

Finalmente chegou às telas tupiniquins a mega-produção de 2007 do diretor mexicano Alejandro González-Iñárritu, Babel. Antes de qualquer coisa, devo dizer que eu ADORO esse diretor e seu trabalho. Achei os filmes Amores Perros e 21 Gramas sensacionais e já fui assistir Babel com uma grande expectativa pela qualidade dos trabalhos anteriores do diretor. Além disso, somou-se a expectativa de vários críticos que o colocaram como o melhor filme do ano, e outros o pior. Quando um filme é amado ou odiado, é ótimo, quer dizer que é bom e controverso.

No entanto, não achei nada disso. Confesso que achei bem mais ou menos. É bem triste eu dizer isso de um diretor que prezo tanto, mas achei esse o seu filme mais fraco, sem a intensidade dos outros dois. Claro, Babel não é uma porcaria total, longe disso, é um bom filme, uma super produção mesmo, realizada em vários países e em várias línguas. Só para conseguir filmar em locações remotas, com atores profissionais e amadores, em diferentes línguas, Iñárritu já merece um prêmio. Mas me surpreendeu porque das três histórias, só uma foi mais desenvolvida, nas outras duas só acontece o que está na sinopse.

Então lá vai a sinopse: um casal americano em férias no Marrocos para resolver problemas conjugais enfrenta uma situação aterradora quando a mulher é baleada por um rifle no interior do país onde não há hospitais próximos. Enquanto isso, a babá mexicana cuida dos filhos desse casal na Califórnia e decide levá-los até o México para o casamento de seu filho quando não encontra ninguém para cuidar das crianças na ausência dos pais e, é claro, tudo dá errado. Brad Pitt e Cate Blanchett fazem o casal americano, o que achei um desperdício de bons atores. Adriana Barraza, ótima atriz mexicana de Amorer Perros que está indicada ao Oscar por esse papel, faz a babá das crianças e Gael García Bernal (também sub-aproveitado como ator) faz seu sobrinho.

A terceira história, conectada às outras duas por um link tão fraco que era melhor nem existir, é a mais interessante de todas e a mais bem desenvolvida. Uma adolescente japonesa surda-muda, frustrada com a solidão em que se encontra após a morte da mãe, busca consolo nos braços de algum homem que possa tirar sua virgindade. Essa história sim valeria um filme inteiro e é a que vale a pena ir até o cinema conferir.

Aliás, não é à toa que Barraza e Kikuchu são as únicas a concorrer a Oscar nesse filme, porque são as únicas que realmente têm o trabalho de atuar. Os outros, apesar de bons atores, só enfeitam. Acho que o intento de Iñárritu em mostrar que tudo é interligado no mundo, provar o famoso ‘efeito borboleta’ acaba falhando no final. Uma pena.

That’s all

See ya!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Para desopilar o fígado




Buenas,

Na semana passada, fui assistir ao engraçadíssimo monólogo do ator Marcelo Médici, em cartaz no Teatro Frei Caneca em São Paulo, Cada um com seus pobrema. O ator, que já fazia alguns desses personagens na Terça Insana, interpreta oito personagens diferentes e completamente inusitados – uma empregada doméstica; Sanderson, o corintiano; a Smurfete; ator/surfista da novela das sete; mãe de santo que recebe o espírito da Branca de Neve; Dona Yumi, coreana com nome de japonesa; Tia Penha, apresentadora infantil sádica; e o último mico-leão-dourado, que é gay.

A partir de uma conversa com a platéia sobre a vida de ator, ele vai encarnando um por um dos personagens, com um figurino prático que é mudado no palco mesmo. O humor inteligente, escrachado e deliciosamente politicamente incorreto de Médici faz com que seja impossível não rir o tempo todo. Ele é tão versátil que a cada personagem muda seu tom de voz e seu sotaque, mostrando facetas muito diferentes.

Diversão garantida.

That’s all

See ya!

Mais estranho que a ficção


Buenas,

Com um belo elenco e uma história engraçada, o filme Mais Estranho que a Ficção é um prazer cinematográfico que recomendo a todos. Dirigido por Marc Foster, o filme bebe na mesma fonte das obras do roteirista Charlie Kauffman – Quero Ser John Malkovich, Adaptação, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças – com uma história que mistura elementos surreais e acaba encantando pela delicadeza e humor inteligente.

Will Ferrel é Harold Crick, um agente da receita federal americana que tem uma rotina diária chata e imutável e um dia começa a ouvir a voz de uma mulher que narra a vida dele como se estivesse escrevendo um livro. Por outro lado descobrimos a escritora Kay Eiffel (Emma Thompson em ótima forma), angustiada porque não consegue terminar o seu livro sobre Harold Crick.

A narração acaba mudando a vida do personagem e proporciona algumas das cenas mais engraçadas que vi no cinema ultimamente - um bom exemplo é a foto acima, quando ele acha que a escova de dente que ele está usando está falando com ele. Com a ajuda de Dustin Hoffman, no papel de um professor de literatura, Crick acaba descobrindo sua autora enquanto se apaixona por uma de suas ‘vítimas’ de auditoria, a excelente Maggie Gyllenhaal como uma confeiteira que se recusa a pagar impostos para sustentar as guerras do presidente Bush.

Com personagens ricos de complexidade e delicadeza, ótimas atuações, cenas bem engraçadas e uma trilha sonora maravilhosa, o filme é um prazer em todos os sentidos.

That’s all

See ya!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Academia (quase) acerta nas indicações desse ano


Buenas,


Hoje foram anunciados os filmes, diretores, atores, etc, indicados ao Oscar desse ano. Fiquei bem feliz com as nomeações porque, apesar de não ter visto todos os filmes que concorrem ou concorreriam (ainda não estão passando no Brasil), eu sabia que musical como Dreamgirls, com Beyonce como atriz principal não merecia uma indicação, apesar de toda a propaganda que fizeram em cima desse filme. A lista completa de nomeações está no link abaixo:

Oscar Nods - People magazine

Adorei principalmente o fato de um filme independente e diferente como Little Miss Sunshine ter sido reconhecido pela Academia, um fato raro mas que vem acontecendo nos últimos anos.


Agora, fiquei ABSOLUTAMENTE CHOCADA porque Volver do Almodóvar não entrou na disputa de melhor filme estrangeiro. Tudo bem que o favorito é o Laberinto del Fauno, mas Volver merecia uma indicação.


Agora é esperar pela looooooonga noite de 25 de fevereiro pra ver quem vai ganhar. Eu aposto minhas fichas em Scorsese como Melhor Diretor, afinal, já não era sem tempo!!!


See ya!


terça-feira, janeiro 16, 2007

Babel, Borat, Betty – Globo de ouro empacou na letra B


Buenas,

Ontem vimos a entrega dos Golden Globes, com algumas surpresas e outros que já tinham seu nome no prêmio, mas a cerimônia não foi tão divertida como em outros anos. Talvez porque sempre que eu queria ouvir os caras falando, vinha a voz do Rubens Ewald Filho interrompendo com comentários perfeitamente dispensáveis. Tudo bem, o cara entende de cinema, mas é um saco esse negócio de dublagem, ainda mais dublagem de última hora, quando ele perde e/ou atropela todas as piadas e comentários mais interessantes. Tomara que a Warner não receba os direitos de transmitir o Golden no ano que vem...

Enfim, fora essa chatice, a premiação teve poucas surpresas e foi bem tranqüila.
Lista de vencedores - People magazine


Gostei muito de Hugh Laurie ter ganho novamente por sua atuação em House, que é um dos melhores seriados da TV no momento. Claro que Grey’s Anatomy iria ganhar por melhor drama, a série é muito boa. E Alec Baldwin também mereceu seu globo, já que ele é um gênio cômico e, apesar de ter assistido poucos episódios de 30 Rock, acho ele engraçadíssimo. Uma das surpresas foi a novidade Uggly Betty ter ganho melhor série de comédia e melhor atriz para sua protagonista, América Ferrara. Essa série entra naquele âmbito de Heroes, ainda não vi, mas já gostei.

Passando pra parte de cinema, nada muito extraordinário aconteceu. Martin Scorsese ganhou seu prêmio merecido. No entanto, Babel ganhou como melhor filme. Difícil dizer qualquer coisa porque o filme ainda não estreou aqui, mas se julgar pelos trabalhos anteriores do diretor Alejandro González-Iñárritu, deve ser um filme excepcional. Um dos pontos altos da noite foi Sasha Baron-Cohen ganhando o prêmio de melhor ator cômico por Borat. Eu já adorava o ator como Ali G e acho que Borat realmente transcende a comédia comum. Fora que o discurso escatológico dele foi o melhor da noite!

Algumas menções divertidas sobre a moda da cerimônia valem a pena uma nota. O comentarista do E! e coordenador das sessões de foto do programa America’s Next Top Model, Jay Emanuel, ganhou o prêmio nonsense da noite ao explicar que os vestidos vintage estavam na moda: “old is the new new” foi a frase sensacional do cara. Pra variar, a Sharon Stone estava mal vestida e eu achei a Beyonce meio exagerada, mas ela é linda de qualquer jeito. Os vestidos mais bacanas: Eva Longoria, Drew Barrimore, Penélope Cruz, J Lo, América Ferrera, Jennifer Garner e Angelina Jolie.
Nem vou comentar a Cameron Diaz....

E como diria Miranda Priestly, That’s all.

See ya!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

É hoje que hollywood vira ouro!!

Buenas,

Hoje é noite de Golden Globes, a premiação mais bacana de hollywood porque junta cinema e TV numa apresentação rapidinha (sem showzinhos chatos e encheção de linguiça) na qual os caras recebem os prêmios e agradecem, só que como já começaram a beber faz tempo, porque os Globes são um jantar, os agradecimentos são bem mais divertidos que em outras cerimônias de apresentação.

Tenho minhas apostas, é claro, mas fica difícil escolher quando mais da metade dos filmes que estão concorrendo ainda não passaram aqui (p* fim de mundo do c@, quando vão começar a trazer os filmes pra cá??). Na categoria melhor filme drama, eu só vi The Departed, então é óbvio que ele é meu preferido, né? Mas acho que ganha Babel ou The Queen, só pelo hype que estou ouvindo dos críticos. Mas se Departed ganhar vou ficar bem feliz :-)

Também queria muito que o DiCaprio ganhasse algum prêmio, tanto faz o filme, já que ele concorre por dois. Ele está ótimo nos dois! Na categoria comédia há quase um consenso que Meryl Streep deva ganhar por Prada e Johnny Depp por Pirates. E eu concordo em gênero, número e grau. Vamos ver, né?

Além da premiação-direto-ao-ponto e os discursos engraçados, também adoro ver as modas, por isso já começo duas horas antes da cerimônia a acompanhar o Red Carpet pelo E! Que horripilança será que a Sharon Stone estará usando hoje? hehe

See ya!!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Di Caprio é quem brilha em filme sobre diamantes


Buenas,

Ontem fui assistir ao filme Diamante de Sangue (Blood Diamonds, EUA – 2006) filme que se passa em Serra Leoa, 1999, quando o país passava por uma guerra civil entre o exército e um grupo de rebeldes que diziam buscar liberdade para o povo mas, na verdade, buscavam diamantes para ganho próprio (alguém lembrou da FARC?).

O filme conta a história de Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um mercenário do Zimbábue, e Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador, que se cruzam na prisão e formam uma difícil aliança para recuperar um raro diamante rosa escondido por Vandy, com a ajuda da jornalista americana Maddy Bowen (Jennyfer Connelly). O filme é bastante didático, como qualquer coisa feita para o mercado norte-americano, explica a situação geopolítica de Serra Leoa de uma forma quase lúdica, como se o público fosse infantil.

O início do filme é, providencialmente, um mapa-múndi que destaca a África e a região do continente onde fica Serra Leoa (tipo: platéia, localize-se!). A história une aventura, guerra, drama e acaba simplificando demais temas muito complicados como o contrabando de diamantes de zonas de conflito e suas ramificações no primeiro mundo e a forma como grupos rebeldes locais recrutam crianças para serem soldados da guerrilha.

Mesmo sendo coisa pra gringo ver, o filme não deixa de ser absolutamente bem filmado e com um roteiro que prende o espectador até o final. Muito do filme são cenas de ação, mostrando a violência crua de uma guerra civil onde não há lei. Claro, a idéia do filme é passar uma mensagem, de que o homem branco precisa parar de explorar a África para seu ganho financeiro. “TIA – This is Africa”, uma frase repetida muito no filme, que explicita a perda da esperança por parte dos africanos em relação à situação do seu continente.

O melhor do filme fica por conta das atuações de Djimon Hounsou e Leonardo DiCaprio. Hounsou é um ator muito forte. Ele é um homem alto, tem uma presença marcante, é bonito e tem atuações bastante intensas, sempre muito boas. É muito difícil alguém apagar Hounsou na tela, no entanto DiCaprio faz isso e ainda leva o filme inteiro nas costas. Se não fosse pela atuação de DiCaprio, talvez a resenha que estou fazendo desse filme fosse bem diferente, porque o personagem dele toma conta do filme e o carisma dele enche a tela. Eu sei, ele é o DiCaprio de Titanic, A Praia e O Homem da Máscara de Ferro, mas depois de ver Diamante de Sangue e Os Infiltrados, dá pra esquecer esse passado e perceber que ele se tornou um dos melhores atores da atualidade.

Começando 2007 com o pé direito!!!

See ya!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Should old acquaintances be forgotten?

Buenas,

Pois é, 2006 está quase e 2007 já desponta na semana que vem. Como tenho lido muitas matérias sobre os melhores do ano no cinema, música, etc, me senti compelida a escrever sobre o que eu achei de melhor em 2006.

Ano de grandes e bons shows no Brasil, com direito à U2, Jamie Cullum, Franz Ferdinand, BB King, Patti Smith, Beastie Boys, Yeah Yeah Yeahs, Oasis, TV on the Radio, New Order, Daft Punk, Gang of four, entre outros. Confesso que não fui a muitos desses shows, muitos nem vieram à São Paulo (o que acho absurdo, aliás...), mas os que fui estão registrados por aí nesse blog. De longe, na minha opinião, o melhor show do ano foi Franz Ferdinand no Espaço das Américas. Foi um showzasso!!! Nem a precariedade do lugar conseguiu segurar uma das melhores bandas da atualidade e seus fãs ardorosos, como eu.

Em geral, na música, o Arctic Monkeys, com o seu álbum Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, foi destaque total na mídia porque os caras têm mesmo um som muito legal. Mas, pra mim, Raconteurs com Broken Boy Soldier foi a melhor novidade do ano. Outras coisas bacanas da música em 2006 também incluem:

TV on the Radio – Return to Cookie Mountain
Gnarls Barkley – St. Elsewhere
Wolfmother – Wolfmother
Corinne Bailey Rae
KT Tunstall
John Mayer – Continuum

No cinema, tivemos algumas boas surpresas de filmes independentes como Pequena Miss Sunshine e o brasileiro O ano..., e um filme francês desconcertante que foi, ao meu ver, o melhor do ano. Segue abaixo um TOP 14 dos melhores do ano, a maioria já comentada aqui no blog:

1- Cache
2- The Departed – Os infiltrados
3- Little Miss Sunshine – Pequena Miss Sunshine
4- Thank you for Smoking – Obrigado por fumar
5- Casino Royale
6- O ano em que meus pais saíram de férias
7- El Laberinto del Fauno – O labirinto do fauno
8- Inside Man – O plano perfeito
9- United 93
10- Cidade Baixa
11- Miami Vice
12- Match Point
13- Mission Impossible III
14- Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest – Piratas do Caribe 2

O ano de 2006 pode não ter sido dos melhores, mas teve seus momentos. Agradecemos esses e esperamos muitos mais e melhores em 2007!!!!!!!!!!!!!!!!!!

See ya next year!!!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

James Bond Begins!!!


Buenas,

Seguindo o conceito adotado pelo pessoal da Warner para reviver a franquia dos filmes Batman, voltando às origens do personagem com Batman Begins, os produtores de 007 fizeram o mesmo com James Bond. Aqui em Cassino Royale (Casino Royale, UK – 2006) eles apresentam um Bond mais jovem, mais vigoroso fisicamente, menos experiente, mais bruto e um pouco menos cínico.

O início do filme, como de costume, é acachapante. As cenas em preto e branco de uma luta de Bond (Daniel Craig), na qual ele mata seu primeiro alvo, intercaladas com a conversa com o segundo, são impressionantes. O filme é pura adrenalina, ação e diálogos irônicos, mas sem os gadgets usuais de Bond, com muito braço, muito sangue e muita porrada mesmo.

Desta vez a missão de Bond é vencer o vilão Le Chiffre, que financia traficantes de armas e terroristas, em um jogo de pôquer no Cassino Royale de Montenegro (Montecarlo disfarçada) e assim chantageá-lo para que ele entregue os seus contatos. Com direito a cena de tortura com Bond pelado e tudo, o ritmo do filme é acelerado e as cenas muito bem filmadas. Há um momento em que o filme perde um pouco o seu ritmo, confesso que achei o filme perfeito até essa hora, quando Bond começa a se recuperar em um hospital.

Claro que depois disso ainda há reviravoltas e cenas de ação, mas senti que o filme ficou um pouco meloso. Mesmo assim, Daniel Craig passa na prova com nota máxima e os produtores mostram que um bom personagem com boas histórias pode ser infinito.

See ya!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Volver, sentir, vivir, reír, llorar


Buenas,

Almodóvar fez novamente. Ele conseguiu fazer um filme estilo dramalhão, comédia, bem espanhol e absolutamente divino. Volver (Espanha, 2006) é uma história de mulheres a beira de um ataque de nervos que conta tudo sobre sua mãe, onde se fala muito com ela, usando saltos altos, ou seja, um pouco de tudo que vimos na obra do talentoso diretor.

Penélope Cruz brilha como Raimunda, personagem central de uma família de três gerações de mulheres, que luta para superar seus traumas e se relacionar. O principal tema do filme é o relacionamento mãe e filha, algo tão delicado e complicado que só Almodóvar consegue retratar como se deve. Raimunda e sua irmã Sole, que perderam os pais num incêndio há meses, vivem em Madri, uma como cabeleireira clandestina e outra com um marido bêbado e desempregado e a filha, fazendo bicos. Quando a tia morre, elas descobrem que a mãe estava cuidando dela e agora elas precisam se relacionar com essa mãe que retornou das cinzas.

Os temas complicados e polêmicos como incesto, morte e família, são apresentados de forma melodramática (bem ao estilo Almodóvar) por ótimas atrizes. A trama do filme é relativamente simples, mas bem interessante e no fundo o que interessa ao diretor é explorar as relações familiares diante de adversidades inimagináveis. As mulheres são o centro desse filme, que quase não tem personagens masculinos, que as coloca em várias molduras diversas de acordo com a ocasião. Para isso o diretor usa sua extravagância nas cores, cenas e diálogos. Uma jóia rara que só poderia ter sido lapidada por esse artesão cuidadoso.

See ya!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Quer saber pra onde vai o mundo, do jeito que está hoje?


Buenas,

Quem quer saber onde vamos parar se o mundo continuar da forma como está, cheio de intolerância, medo, racismo e xenofobia, deve assistir ao novo filme do diretor mexicano Alfonso Cuarón.

Filhos da Esperança (título infeliz de Children of Men, UK – 2006) é uma ótima produção que trata de assuntos polêmicos de hoje, em um futuro próximo. Em 2027, os seres humanos teriam perdido a capacidade de se reproduzir, o mundo estaria um caos e só a Inglaterra ainda teria uma vida ‘normal’ sob uma ditadura que fecha o país para qualquer imigrante ilegal.

O futuro próximo visualizado por Cuarón é bastante sombrio, é um resultado dos líderes que vemos atualmente e das políticas racistas de imigração e de guerra. No meio desse mundo desolado vive Theo (Clive Owen, como sempre muito bom), meio conformado com a guerra urbana que a ditadura trava contra milícias pró-liberdade. Quando sua ex-mulher o procura para ajudar a escoltar a única mulher a ter ficado grávida em 18 anos - uma imigrante ilegal - começam seqüências de ação inacreditáveis.

A história é extremamente relevante e Cuarón a filma de forma pungente, como um soco no estômago do público. Apesar disso, o filme prega a esperança. Além da ótima atuação de Clive Owen o filme também conta com uma participação especial de Julianne Moore e Michael Caine como um hilário ex-hippie.

Algumas seqüências do personagem de Owen tentando passar por um conflito armado são de tirar o fôlego, com a câmera seguindo ele por minutos em uma correria frenética. Direção de primeira.

Um filme que está passando meio despercebido porque foi lançado no Brasil antes que nos Estados Unidos, mas que provavelmente será um dos concorrentes ao Oscar (ou deveria ser).

See ya!

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Crítica de NY elege United 93 melhor filme do ano

Buenas,

Está aí no NY Times e no G1:
http://www.nytimes.com/aponline/movies/AP-Film-New-York-Critics.html?_r=1&ref=movies&oref=slogin

http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,AA1383615-7084,00.html

A crítica norte americana escolheu o filme United 93 como melhor filme do ano. Assisti esse filme ontem em DVD e realmente, achei bastante impressionante. Com um realismo contundente sem ser apelativo, o filme é puro terror. Mas não é aquele tipo de terror onde Freddy Krueger mata todo mundo dando risadas. É uma tensão e um terror reais. Mesmo porque, a gente sabe que aquilo aconteceu.

O filme ganha muitos pontos mostrando uma narrativa simples e direta de como as autoridades receberam as notícias dos seqüestros dos aviões e dos ataques de 11 de setembro de 2001 e o que teria acontecido dentro do fatídico vôo United 93 que caiu próximo a Washington. Um filme pungente. Todos deveriam assistir.

Gostei muito do fato de Martin Scorcese ter ganho melhor diretor, um prêmio justo. Quem sabe esse ano a Academia pare de puxar o saco do Dirty Harry e dê o prêmio a quem merece?

See ya!

I got the blues....

Buenas,

Sem dúvida, uma noite memorável, entre as melhores que já tive! Ver o rei do blues é sempre um prazer, mas sua farewell tour (turnê de despedida) que passou pelo Via Funchal em São Paulo foi o ápice. E eu estava lá!!!! :-)

BB King é uma lenda da música, não dá pra negar. Aos 81 anos de idade ele consegue levar um show com seu carisma, encantar a platéia com sua voz sensacional (dá até arrepios quando ele começa a cantar) e ainda toca a Lucille (pra quem não sabe, é o nome da guitarra dele) primorosamente. É imperdível.

Ele toca desde o blues de raiz e versões de seus sucessos como ‘When love comes to town’ escrita pelo Bono, mas sempre com um toque de improvisação e jam session. As músicas se estendem e juntam-se umas com as outras, vários solos são apresentados pela ótima banda que o acompanha há anos. Além de clássicos como ‘The Thrill is gone’.

Mas BB King hoje é um cara de muita prosa. Ele conversa muito com o público, conta histórias engraçadas, interage mesmo e muito à vontade, como quem já nasceu e passou a vida todo no palco. Ele é muito brincalhão e bem humorado.

Felicidade pura

See ya!

quarta-feira, dezembro 13, 2006

James Blonde chega nessa sexta!!!!


Buenas,

Na sexta estréia no Brasil a mais recente aventura do agente 007, James Bond. Eu sou FANÁTICA da série de Bond e, longe de ser purista, gosto muito das várias fases do espião. Concordo com o que disse o cinéfico Ben Lyons no programa Daily 10 do E!, que o Bond da nossa geração (minha e dele e de quem tem por volta de 30) é o Pierce Brosnan.

Sem dúvida Brosnan tem carisma de sobra e os filmes da série que ele estreleou foram alguns dos melhores, principalmente porque foram atuais. Eu, como fã incondicional de Bond, adorava os filmes da era Sean Connery. A era Roger Moore foi um pouco mais 'trash', em minha opinião, mas eu também gosto muito dessa fase pois os filmes do agente ganharam uma boa dose de humor cínico. Os únicos Bonds que não gostei realmente foram George Lazenby e Timothy Dalton.

Pierce Brosnan trouxe o charme e carisma de Connery aliado ao humor de Roger Moore em tramas fantásticas e futuristas, cheias de tecnologia de ponta. Nem preciso dizer que amei os filmes dessa era.

Sexta surge a nova era de Bond, com o agente James Blonde (porque esse é o único ator loiro que fez esse papel), Daniel Craig na pele do 007. Cassino Royale é o primeiro livro de Ian Fleming e o filme usa isso para imitar Chris Nolan em Batman Begins e mostrar as origens de Bond.

Como ainda não vi o filme, não dá pra dizer muita coisa. O que eu quero realmente comentar é que, pelos trailers e propagandas na TV, parece que esse é o primeiro filme do 007 que realmente leva em conta o público feminino. Em vez de milhares de mulheres semi-nuas, saindo do mar de biquini, o filme terá uma cena de Daniel Craig saindo do mar de sunga. Só isso já vale o ingresso do cinema! (dá uma olhada na foto)

See ya!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Um médio truque


Buenas,

Está em cartaz em São Paulo o filme O Grande Truque (The Prestige, EUA – 2006), filme dirigido por Christopher Nolan e estrelado por Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine e Scarlett Johanson.

Gosto muito do estilo de direção do Chris Nolan e esse filme, apesar de muito bom, talvez seja um de seus mais fracos. Com uma boa história e ótimos atores, o excesso de flash backs e uma surpresa facilmente detectável acabam tornando o filme divertido sem ser nada especial. Não levem a mal, o filme é bacana e entretém, mas sabe quando falta alguma coisa?

O filme conta a história de dois mágicos na Inglaterra vitoriana que viram rivais tipo arqui-inimigos, obcecados com a destruição um do outro. Como de costume nos filmes de Nolan, a história é contada por meio de flash backs misturados, sem uma estrutura linear. Esse truque que visa confundir mais o expectador e fazer a revelação final mais intrigante, não funcionou tão bem nesse filme. A grande sacada é facilmente perceptível e olha que eu não sou daquelas que se gaba de ter sabido antes do final que Bruce Willis era um fantasma em O Sexto Sentido.

O filme é interessante, tem uma história cativante, boas atuações e uma participação especialíssima de David Bowie como o inventor Nikola Tesla. Bom entretenimento.

See ya!

PS: Ver os belos Hugh Jackman e Christian Bale na tela por duas horas, já vale o ingresso!!!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pilobolus encanta com dança escultural


Buenas,

Tardo, mas não falho!

Há semanas assisti ao espetáculo da companhia de dança norte-americana Pilobolus, que faz um balé moderno com improvisação, movimentos acrobáticos e coreografias plásticas.

Os bailarinos encantaram com a peça Aquatica, na qual se juntam e fazem um movimento ondulatório imitando o mar. Eles se movem no palco como se o corpo de um fosse a extensão do corpo do outro, é uma experiência impressionante.

As coreografias Pilobolus e Memento Mori também mostram a destreza e criatividade do grupo, mas cansam por serem um pouco longas e mais dramáticas. Já Sweet Purgatory e Walklyndon encantam não só por sua estética, mas pelo uso do humor. Essas duas últimas agradaram muito também às crianças que estavam na platéia, já que usam elementos do humor pastelão do cinema mudo.

Os destaques são os bailarinos Andrew Herro, Manelich Minniefee e Annika Sheaff, que executam com personalidade e destreza as partes mais importantes das coreografias. Uma experiência à parte.

See ya!!

sexta-feira, novembro 24, 2006

Oitentistas sacolejam o esqueleto no Via Funchal


Buenas,

Os oitentistas – pessoas saudosas dos anos 80 – grupo que inclui esta que lhes escreve, estavam todos lá no Via Funchal, na terça passada, esperando ansiosamente que Bernard Summer, Peter Hook e cia desfilassem seus sucessos. E foi o que aconteceu, mais ou menos.

O New Order é uma ótima banda, com muitas músicas bacanas de vários álbuns inspirados. Muitas pessoas saíram do Via Funchal achando que ‘acústica’ estava ruim, que o som não foi tão bom e que faltaram hits.

Eu saí de alma lavada. Não é todo dia que se ouve Love Will Tear Us Apart ao vivo, tocada pelos membros originais do cultuado Joy Division. Nem preciso dizer que adoro Joy Division e que, ao contrário da primeira passagem do New Order pelo Brasil, dessa vez o grupo honrou suas origens e tocou várias boas como Athmosphere e Transmission. Delirante!

Os hits do New Order também estavam lá: Bizarre Love Triangle, Blue Monday, The Perfect Kiss, Regret e True Faith, essa última acabou confundindo um pouco o público porque eles tocaram com um arranjo novo. Sobre a acústica, eu acho que nem é tanto um problema do Via Funchal, mas o Bernard Summer não nasceu vocalista ele ficou vocalista quando o Ian Curtis se matou, portanto não dá pra esperar muito da voz do cara ao vivo, que realmente é meio fraca.

Com muitos hits dançantes, algumas músicas do último álbum e as jóias do Joy Division, o New Order fez um grande show!

See ya!

terça-feira, novembro 21, 2006

Um gênio se retira


Buenas,
Robert Altman faleceu hoje, aos 81 anos de idade, em um hospital em Los Angeles. Não foi divulgada a causa, mas Altman havia sofrido um transplante de coração há alguns anos. Fico feliz que a Academia de Artes e Ciências de Hollywood deu a ele neste ano um merecido Oscar honorário pelo conjunto de sua obra – lifetime achievement award.

Com elencos recheados de estrelas, os filmes de Altman caracterizam-se pela improvisação, um roteiro que deixa os atores soltos para inventarem falas. O resultado disso eram filmes que mais pareciam ‘pedaços da vida’ (slices of life) e não histórias com começo, meio e fim. Sou grande fã de filmes como O Jogador, Gosford Park e Short Cuts, nos quais os atores falam ao mesmo tempo e parece que estamos vendo cenas da vida real.

Quando recebeu o prêmio da academia, Altman disse “I'm very fortunate in my career. I've never had to direct a film I didn't choose or develop. My love for filmmaking has given me an entree to the world and to the human condition". Um cineasta de alma independente que nos deixa com saudades dos filmes que mostra o ser humano como ele é.

See ya!

terça-feira, novembro 14, 2006

Os Infiltrados já nasce clássico do cinema!!


Buenas,

O filme do ano está em cartaz e aconselho todos a correrem pro cinema JÁ!!!!!
Os Infiltrados (The Departed, EUA – 2006) é o mais novo filme do diretor Martin Scorsese que conta com um elenco de estrelas como Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Mark Whalberg, Alec Baldwin e Martin Sheen. Voltando às suas raízes, Scorcese faz uma obra prima sobre máfia, polícia e, é claro, agentes infiltrados.

O filme já começa pra lá de bem com “Gimme Shelter” dos Rolling Stones, enquanto as imagens mostram como Colin Sullivan (Matt Damon), se tornou ‘afilhado’ do chefe da máfia irlandesa de Boston, Frank Costello (Nicholson). A história conta como Sullivan virou um policial corrupto que continua ajudando o chefe mafioso, e como William Costigan (DiCaprio), vindo de uma família de mafiosos, vira um policial infiltrado na gangue para conseguir provas e prender Costello. O filme gira em torno dessa dicotomia entre DiCaprio e Damon, gerando incríveis momentos de suspense e uma trama que dá várias reviravoltas.

A refilmagem do filme chinês, Infernal Affairs, é inquestionavelmente superior ao original, trazendo de volta um Scorsese da época de ouro. Nos últimos anos o diretor deu uma derrapada com Gangues de NY, voltou bem com O Aviador, mas não como era em Goodfellas. Os Infiltrados é um de seus melhores trabalhos. A violência bruta, os palavrões, os comentários sarcásticos que rendem muitas risadas e a sensacional atuação do elenco fazem desse filme um clássico já no seu lançamento.

Nicholson está perfeito como Costello, um mafioso sem escrúpulos e muito sacana, bem ao estilo do ator. Damon e DiCaprio dão um show de atuação, um como o elegante e conquistador mau caráter e o outro como o desajustado e perturbado bom moço. O filme não é só altamente imprevisível, como tem um final à altura.

**SPOILER ALERT** quem não quer saber sobre o final, pare de ler aqui.

Não vou dizer como acaba, mas devo dizer que é bem parecido com o final que eu considero um dos melhores do cinema, o de Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, EUA – 1992) do Tarantino. Pra bom entendedor....

See ya!!!

Sensibilidade infantil domina as telas


Buenas,

Estamos com sorte! Cinema de primeira qualidade em cartaz por toda a cidade. Dois ótimos filmes que estão em cartaz trazem a sensibilidade das crianças para mostrar o mundo adulto de comportamentos e relacionamentos.

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, EUA, 2005)
Um filme independente Americano sobre uma típica família estranha daquelas partes. Todos se juntam, pai, mãe, filho adolescente rebelde, filha pequena, avô drogado e tio gay e suicida para uma inusitada viagem a um concurso de beleza infantil da filha.

Com atuações ótimas e realistas, além de uma história semi-absurda, que chega a ser hilária, o filme encanta por sua simplicidade, seu humor e sua sagacidade crítica para com a sociedade americana. Há momentos de chorar de rir (juro, quase caí da cadeira) e o final deixa todo mundo com aquela sensação gostosa. Imperdível.

O Ano em que meus pais saíram de férias (Brasil, 2006)
1970. Copa do Mundo. Pelé. Ditadura. Infância. Bom Retiro. Judeus. Misture tudo com um roteiro inteligente e você tem o filme de Cao Hamburguer. Os pais de Mauro saem de Belo Horizonte e o deixam às pressas com o avô, no Bom Retiro em São Paulo, e partem para uma temporada de “férias”. Fugindo da repressão dos militares, eles nem percebem que deixam o garoto sozinho, já que o pai de Mauro morre pouco antes de chegarem. Mauro é acolhido pelos vizinhos, em particular um velho judeu chamado Schlomo. A partir daí vemos como o menino se relaciona nesse novo ambiente e como se vira sem os pais.

O filme é delicado e mostra a sociedade de 1970 no Brasil pelos olhos do menino. O público acompanha suas descobertas e seus desencantos. A grande vedete é a Copa de 70, que é mostrada com detalhes e dá uma vontade de torcer e vibrar junto com o pessoal que está na tela. Com um belo roteiro e muito bem realizado, este é definitivamente, um dos melhores filmes brasileiros.

See ya!